Fim da trégua: ataque reacende conflito entre Israel e milícias no Líbano
Israel ataca sul do Líbano: Após quase quatro meses de relativa calma na fronteira norte de Israel, o governo israelense autorizou neste sábado (22) uma série de bombardeios ao sul do Líbano. A ação ocorreu em resposta ao disparo de cinco foguetes lançados a partir do território libanês em direção ao norte de Israel, segundo informou o El País.
Os foguetes, que não causaram vítimas em solo israelense, marcaram o primeiro ataque do tipo desde o cessar-fogo não oficial firmado em novembro de 2024. Em retaliação, as Forças de Defesa de Israel (IDF) lançaram dezenas de ataques aéreos contra o que chamaram de “posições de milícias armadas” no território libanês.
Israel responde com força e ameaça escalar ofensiva
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou o ataque como uma “grave violação da soberania” e autorizou uma resposta militar imediata. O ministro da Defesa, Israel Katz, foi ainda mais direto ao afirmar que “nenhuma provocação ficará sem resposta” e que as forças israelenses estão prontas para atacar “inclusive em Beirute, se necessário”.
Em comunicado oficial, as IDF informaram que os alvos bombardeados incluem depósitos de armas, centros de comando e áreas de lançamento de foguetes utilizadas por grupos armados no sul do Líbano. A ação, segundo as autoridades israelenses, visa prevenir novas ameaças e restaurar a segurança na região norte do país.
Hezbollah nega envolvimento e alerta para riscos de escalada
Apesar dos ataques, o grupo Hezbollah – principal força militar não estatal no sul do Líbano – negou envolvimento no lançamento dos foguetes. Em nota, a organização declarou que permanece comprometida com o cessar-fogo de novembro, mas alertou que “qualquer ataque ao território libanês será considerado uma agressão injustificada e poderá desencadear uma resposta proporcional”.
Especialistas em política do Oriente Médio ouvidos pelo jornal The Guardian destacam que a retomada do conflito demonstra a fragilidade dos acordos informais entre Israel e os grupos libaneses. “A ausência de um acordo oficial torna a situação volátil e sujeita a episódios repentinos de violência”, afirmou o analista Michael Stephens.
População civil em alerta e ONU faz apelo por contenção
Moradores de vilarejos no sul do Líbano relataram intensos bombardeios durante a madrugada. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça e destruição em áreas rurais próximas à fronteira.
A Força Interina da ONU no Líbano (UNIFIL) pediu calma às partes envolvidas e reforçou a necessidade de evitar uma escalada que leve a um novo conflito em larga escala. “Pedimos máxima contenção de ambos os lados. A situação é delicada e deve ser resolvida por vias diplomáticas”, disse o porta-voz da missão.
Tensão regional volta a crescer
A retomada dos confrontos reacende o temor de uma nova guerra entre Israel e Hezbollah, semelhante à de 2006, que deixou mais de mil mortos, a maioria civis libaneses. Analistas alertam que um conflito desse tipo, em meio à instabilidade no Oriente Médio, teria efeitos devastadores.
Com a trégua rompida, observadores internacionais temem que outros grupos armados na região se sintam incentivados a agir, ampliando ainda mais a crise.
Veja Também: Israel anuncia novos ataques a Gaza e Netanyahu avisa: “É só o começo”