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sábado, maio 23, 2026

França anuncia construção de prisão de segurança máxima em plena Amazônia

Complexo será erguido na Guiana Francesa e terá ala para chefes do tráfico e terroristas; projeto gera polêmica local

França fará prisão na Amazônia: O governo da França anunciou a construção de uma prisão de segurança máxima em plena floresta amazônica, mais precisamente na cidade de Saint-Laurent-du-Maroni, na Guiana Francesa — território ultramarino francês que faz fronteira com o Brasil e o Suriname. O objetivo é abrigar criminosos de altíssima periculosidade, incluindo chefes do tráfico internacional de drogas e indivíduos condenados por terrorismo.

O projeto foi revelado pelo ministro francês do Interior, Gérald Darmanin, durante visita à região em maio de 2025, e já é considerado um dos mais ousados investimentos em infraestrutura penal da história recente do país.

Estrutura de alto custo e tecnologia de ponta

A penitenciária terá capacidade para até 500 detentos, com uma ala especial de segurança máxima dedicada a 60 internos. O investimento previsto gira em torno de € 400 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões), com conclusão estimada até o ano de 2028.

Além das celas, o complexo contará com tribunal anexo, bloqueadores de sinal, vigilância por drones e tecnologia de monitoramento 24 horas por dia. A localização foi escolhida estrategicamente por seu isolamento geográfico, o que dificulta fugas e limita a comunicação com o mundo exterior.

Reações políticas e críticas locais

O anúncio, no entanto, não foi bem recebido por autoridades locais. Jean-Paul Fereira, presidente interino da Coletividade Territorial da Guiana Francesa, afirmou em entrevista que o projeto foi imposto “sem qualquer consulta prévia à população”, classificando a decisão como “autoritária e colonial”.

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Já o deputado Jean-Victor Castor foi ainda mais enfático: “Estamos diante de um retrocesso histórico. Transformar a Guiana novamente em colônia penal é uma provocação e um insulto à nossa história”.

O local escolhido para a nova prisão carrega um peso simbólico. Saint-Laurent-du-Maroni foi, até meados do século XX, sede da colônia penal da famosa Ilha do Diabo — uma das mais temidas do mundo, que inspirou obras como o livro e o filme Papillon.

Combate ao crime organizado

A justificativa oficial do governo francês é que a prisão faz parte de um plano nacional de combate ao crime organizado e ao terrorismo. A Guiana Francesa, embora menos visada internacionalmente, tem registrado crescimento nos índices de criminalidade, com forte presença de rotas do narcotráfico que atravessam o território rumo à Europa.

Atualmente, a taxa de homicídios na Guiana é de 8,5 por 100 mil habitantes, bem superior à média da França continental, que gira em torno de 1,2 por 100 mil.

Prisão na Amazônia: segurança ou legado colonial?

Para críticos, a medida revive memórias dolorosas do colonialismo francês na região. Para o governo central, trata-se de uma resposta firme ao crime transnacional. O embate entre segurança e soberania local promete continuar nos próximos meses, à medida que o projeto avança.

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