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sábado, maio 23, 2026

Farra do INSS: CGU descobre 204 mil pedidos de descontos feitos para beneficiários mortos

Levantamento revela esquema de fraudes em entidades que tentavam incluir falecidos em cobranças associativas e reacende debate sobre segurança do sistema previdenciário

Farra do INSS: fraudes a mortos: A Controladoria-Geral da União (CGU) revelou um escândalo que vem sendo chamado de “Farra do INSS”: entidades de aposentados e pensionistas realizaram mais de 204 mil pedidos de descontos em benefícios de pessoas já falecidas. O levantamento mostra uma tentativa de fraudar o sistema previdenciário, incluindo nomes de mortos como se ainda fossem associados ativos.

Segundo o relatório, pelo menos 31 entidades — entre as 38 autorizadas a realizar descontos associativos — fizeram solicitações desse tipo. O caso mais emblemático envolve a Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), responsável por mais de 27 mil pedidos indevidos, incluindo registros de pessoas mortas há mais de 20 anos.

A CGU classificou as ações como tentativas de falsificação documental, já que a autorização para descontos deve partir do beneficiário — o que, no caso de falecidos, é juridicamente impossível.

Volume de descontos explodiu nos últimos anos

Os números impressionam: entre 2015 e 2024, os valores movimentados com descontos associativos cresceram de R$ 387 milhões para cerca de R$ 3,4 bilhões, um aumento de quase 780%.

No mesmo período, os pedidos de suspensão de descontos indevidos saltaram de 900 para 192 mil, revelando uma avalanche de reclamações de aposentados e pensionistas que afirmam nunca ter autorizado qualquer vínculo com essas entidades.

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Em audiência na Câmara dos Deputados, Eliane Viegas Mota, diretora da CGU, afirmou que 97,6% dos beneficiários entrevistados negaram ter dado autorização para descontos, reforçando a gravidade das irregularidades.

Entidades e empresas investigadas pela CGU

O governo já instaurou 40 processos administrativos contra associações e empresas suspeitas de participar do esquema. Os casos estão sendo analisados à luz da Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013), que prevê punições severas para fraudes contra a administração pública.

Entre as entidades investigadas estão a Conafer, Contag, Ambec e a própria AAB, além de empresas que operavam como intermediárias na cobrança dos valores. A CGU informou que os processos podem resultar em multas milionárias, suspensão de atividades e exclusão definitiva do sistema de descontos automáticos do INSS.

Reações políticas e medidas emergenciais

O caso provocou forte repercussão em Brasília. O Ministério da Previdência informou que já bloqueou temporariamente os novos convênios de desconto em folha até a conclusão das investigações. A Polícia Federal também foi acionada para apurar se há indícios de associação criminosa e falsificação de documentos públicos.

Parlamentares da base governista e da oposição classificaram o episódio como “uma das maiores fraudes administrativas da história recente do INSS”.

Nas redes sociais, o termo “Farra do INSS” rapidamente ficou entre os mais comentados. Usuários questionam como um sistema que lida com milhões de beneficiários permitiu inclusões automáticas sem verificação de óbito. Outros sugerem que robôs automatizados possam ter sido usados para gerar solicitações em massa — hipótese ainda sem confirmação oficial.

Impactos e próximos passos das investigações

A CGU recomendou que o INSS retenha os valores já descontados de forma suspeita até que a legalidade de cada caso seja comprovada. Também foi solicitada uma auditoria digital ampliada para identificar falhas no cruzamento de dados entre o INSS e o Sistema Nacional de Óbitos.

Enquanto isso, aposentados continuam relatando prejuízos. Muitos afirmam ter perdido parte significativa do benefício mensal, sem jamais terem assinado qualquer autorização.

O caso expôs uma vulnerabilidade grave no sistema previdenciário, reforçando a necessidade de uma revisão completa dos processos de validação de dados. A expectativa é que as investigações da CGU e da Polícia Federal resultem em punições exemplares e em novas normas de controle.

Veja Também: Farra do INSS: Conafer tentou filiar criança e até pessoas mortas, aponta auditoria da CGU

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