Unidades de elite se rebelam contra o governo e afirmam agir “em nome do povo”
Militares assumem comando em Madagascar: Madagascar vive um dos momentos mais tensos de sua história recente. Uma unidade de elite do Exército, conhecida como CAPSAT (Corps of Administrative and Technical Services of the Army), anunciou publicamente que está assumindo o comando das Forças Armadas do país, afirmando que as ordens militares agora partirão diretamente de sua sede. A informação foi confirmada por agências internacionais como Reuters, AP News e Al Jazeera neste domingo (12).
De acordo com os militares rebeldes, a ação seria uma resposta à “vontade popular” e à insatisfação com a condução política do país. O grupo declarou ter nomeado o General Demosthene Pikulas como novo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, substituindo o comando anterior ligado ao presidente Andry Rajoelina.
Governo reage e denuncia tentativa de tomada de poder
O presidente Rajoelina reagiu rapidamente e classificou o movimento como uma tentativa ilegal de tomada de poder. Em pronunciamento oficial, afirmou que a integridade do governo permanece intacta e que “qualquer ato que ameace a ordem constitucional será tratado com rigor”.
Fontes próximas ao governo informaram que tropas leais continuam posicionadas na capital, Antananarivo, e que os ministérios seguem operando normalmente, ainda que sob forte clima de tensão.
Clima de incerteza e apoio popular dividido
Nas redes sociais, a população malgaxe se mostra dividida. Enquanto alguns cidadãos apoiam a iniciativa dos militares, afirmando que o país enfrenta “crise e corrupção generalizada”, outros temem um retorno ao caos político que marcou os golpes de 2009 e 2010, quando Rajoelina também chegou ao poder após uma deposição controversa.
Especialistas em política africana destacam que Madagascar vive há meses um cenário de insatisfação econômica. A inflação ultrapassou 10% ao ano, e a taxa de desemprego atinge níveis recordes, especialmente entre os jovens. Esse contexto pode ter contribuído para o apoio popular às ações da CAPSAT.
Situação ainda indefinida
Até o momento, não há confirmação de que toda a estrutura militar do país tenha aderido à rebelião. Segundo a Reuters, parte das forças terrestres e navais ainda permanece sob comando do governo central. O general Pikulas, apontado como novo líder militar pelos rebeldes, declarou que “o movimento não é um golpe, mas uma reestruturação necessária das Forças Armadas”.
Já o governo insiste que qualquer mudança fora dos canais institucionais será tratada como insurreição. O presidente Rajoelina convocou uma reunião emergencial com o alto comando e pediu “calma e união” à população.
Repercussão internacional
Organizações regionais como a União Africana e a ONU acompanham a situação com preocupação. Diplomatas alertam que uma escalada de confrontos poderia colocar em risco a estabilidade de toda a região do Oceano Índico, onde Madagascar exerce papel estratégico.
Fontes diplomáticas em Antananarivo afirmam que nenhum país estrangeiro reconheceu o novo comando militar até o momento.
O que dizem as redes e analistas
Nas redes sociais, hashtags como #MadagascarCrisis e #MilitaryTakeover ganharam força. Internautas especulam se a rebelião teria o apoio de ex-oficiais que foram afastados em reformas recentes ou até de grupos políticos contrários a Rajoelina.
Analistas consultados por veículos internacionais alertam que, embora os militares afirmem agir em nome do povo, a situação pode evoluir rapidamente para um golpe militar completo, caso o governo perca o controle da capital.
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