“Farra do INSS” revela uso de xerox no lugar de selfies em esquema que burlava autenticação facial
INSS investiga fraude com cópias de RG: A Controladoria-Geral da União (CGU) revelou novas fraudes no esquema conhecido como “Farra do INSS”, no qual entidades usaram cópias de fotos de RG — muitas delas simples xerox — para enganar o sistema de biometria facial e validar falsamente adesões de aposentados a descontos associativos.
As irregularidades foram descobertas durante auditorias que analisaram a implementação da biometria facial obrigatória, medida criada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2024 para garantir que os aposentados confirmassem, por selfie, qualquer autorização de desconto.
Segundo a investigação, em vez de utilizar fotos reais tiradas no momento da adesão, as entidades inseriam imagens de documentos antigos, burlando o sistema de validação automática do INSS.
O tamanho do escândalo
De acordo com relatórios da CGU e informações repassadas ao Ministério da Previdência, pelo menos 18 entidades estão sob suspeita de falsificar assinaturas e manipular biometria. Em alguns casos, foram detectados softwares capazes de gerar assinaturas eletrônicas falsas para aprovar os descontos indevidos.
O objetivo do esquema era autorizar débitos automáticos em aposentadorias e pensões, simulando o consentimento dos beneficiários.
Diversos idosos relataram ter descoberto descontos mensais de R$ 20 a R$ 80 em seus benefícios sem nunca terem se filiado a nenhuma associação.
O que diz o INSS
O INSS informou que as fraudes começaram a ser detectadas após o cruzamento de dados biométricos e assinaturas digitais incompatíveis. Em nota, o instituto confirmou que encaminhou os relatórios para a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, solicitando investigação criminal das entidades envolvidas.
O órgão também anunciou que novas medidas de segurança estão em fase de implementação, incluindo revalidação facial obrigatória e auditoria em tempo real nos sistemas de desconto automático.
Repercussão e críticas nas redes
Nas redes sociais, o caso gerou revolta e desconfiança. A hashtag #FarraDoINSS chegou a figurar entre os assuntos mais comentados do país, com internautas cobrando punição exemplar aos responsáveis.
Alguns usuários criticaram a “fragilidade do sistema” e questionaram por que o INSS permitiu que fotos antigas ou documentos digitalizados fossem aceitos como prova de identidade. Outros apontam que o caso expõe uma brecha tecnológica que pode ter beneficiado grupos organizados há anos.
Impactos e próximos passos
Especialistas em direito previdenciário afirmam que os beneficiários lesados poderão solicitar restituição dos valores descontados indevidamente, mas alertam que o processo pode ser demorado.
Enquanto isso, a CGU e o INSS trabalham para identificar quantos aposentados foram afetados e qual foi o total de prejuízo gerado pelo esquema, que pode ultrapassar milhões de reais em débitos indevidos.
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