Tratado New START, que limita armas estratégicas, expira em fevereiro de 2026 e preocupa especialistas em segurança global
Trump quer manter acordo nuclear com Rússia: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (25) que pretende manter em vigor o último tratado de controle de armas nucleares com a Rússia, o New START, que expira em 5 de fevereiro de 2026. A declaração foi dada durante evento com militares em Washington e surpreendeu analistas, já que o governo Trump tem adotado uma postura rígida em relação a Moscou desde seu retorno ao poder em julho de 2025.
“Esse não é um acordo que você queira deixar expirar. Já começamos a trabalhar nisso”, declarou Trump, segundo a agência Reuters.
A fala reacende as negociações sobre o futuro do principal acordo de limitação de ogivas nucleares entre as duas maiores potências atômicas do mundo. O tratado é considerado crucial para a manutenção da estabilidade estratégica internacional.
O que é o New START e por que ele importa
O New START (Tratado de Redução de Armas Estratégicas) foi assinado em 2010 por Barack Obama e Dmitry Medvedev, então líderes de EUA e Rússia, e renovado uma única vez por Joe Biden em 2021, com validade estendida até 2026.
O acordo estabelece os seguintes limites:
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Máximo de 1.550 ogivas nucleares implantadas por país;
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No máximo 700 sistemas de lançamento ativos (mísseis, submarinos, aviões);
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Fiscalizações regulares e mecanismos de verificação mútua, que garantem transparência.
Caso expire sem renovação ou substituição, não haverá qualquer acordo bilateral vigente para impedir a corrida armamentista nuclear, o que preocupa a comunidade internacional.
Clima diplomático tenso entre EUA e Rússia complica cenário
Apesar do interesse declarado por Trump, fontes diplomáticas indicam que Moscou vê com ceticismo a possibilidade de renovar o tratado diante do atual cenário de desconfiança mútua. O Kremlin já afirmou que, “sem garantias de respeito mútuo”, uma nova rodada de negociações seria “improvável”.
A invasão russa à Ucrânia, as sanções econômicas aplicadas pelos EUA e a expulsão de diplomatas nos últimos anos minaram a confiança entre os dois países. Ainda assim, o tratado é considerado por analistas militares como um “ponto de equilíbrio”, especialmente porque evita surpresas estratégicas e acidentes nucleares por erro de cálculo.
Repercussão nas redes e entre especialistas
Nas redes sociais, a declaração de Trump gerou comentários divididos. Muitos usuários elogiaram a postura como “madura” e “necessária para evitar uma tragédia global”, enquanto outros acusaram o presidente de recuar diante da Rússia.
Especialistas em defesa alertam que, sem a renovação ou substituição do tratado, mais de 12 mil ogivas nucleares atualmente estocadas no mundo poderiam voltar a ser ativamente ampliadas, principalmente pelas duas potências líderes. A China, que ainda está fora de qualquer acordo do tipo, é constantemente citada como peça-chave em um possível “novo tratado tripartite”, proposta que já foi rejeitada por Pequim em 2020 e 2023.

