Relatório propõe taxação de até 10% sobre grandes fortunas e eleva isenção para quem ganha até R$ 7.350 mensais
Lira amplia isenção do IR: O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP‑AL), apresentou nesta quarta-feira (10) o relatório do projeto de reforma do Imposto de Renda que mantém a taxação de até 10% para quem ganha entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão por ano e amplia a faixa de isenção parcial para rendimentos mensais de até R$ 7.350. A votação da proposta na comissão especial está prevista para a próxima semana, com expectativa de análise em plenário ainda em julho.
Como fica a nova tabela do IR?
Entenda quem paga mais, quem paga menos — e quem escapa
O novo relatório preserva a estrutura da taxação progressiva e traz dois pontos principais:
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Taxação sobre super-ricos: permanece a alíquota de 10% para quem tem renda anual entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão. Para valores acima disso, pode haver tributação adicional sobre rendimentos de capital e dividendos.
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Ampliação da faixa de isenção parcial: o teto da faixa de isenção com desconto simplificado passa de R$ 7.000 para R$ 7.350 mensais, beneficiando cerca de 500 mil contribuintes, segundo estimativas da Receita Federal.
Além disso, o relatório prevê uma redução gradual da alíquota para pequenas empresas e regras mais rígidas para abatimento de lucros via offshores.
Justificativas do relator
Proposta busca justiça fiscal e equilíbrio entre arrecadação e alívio à classe média
Segundo Lira, o objetivo da proposta é criar um sistema mais progressivo e justo, aproximando o Brasil de padrões tributários adotados pela OCDE.
“A taxação sobre super-ricos é um passo necessário para equalizar a carga tributária. Estamos corrigindo distorções históricas que penalizavam os que ganham menos”, disse Lira durante coletiva.
O relatório também indica que a compensação fiscal está prevista com aumento de arrecadação via digitalização, revisão de incentivos e redução da inadimplência tributária.
Classe média comemora; mercado financeiro critica possível “êxodo de capitais”
A ampliação da faixa de isenção parcial foi bem recebida por entidades que representam a classe média assalariada e pequenos empresários. Já o mercado financeiro reagiu com ressalvas à manutenção da taxação sobre grandes fortunas.
A Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) alertou para o risco de fuga de investidores estrangeiros, caso medidas semelhantes avancem sem ajustes de competitividade.
Nas redes sociais, a proposta dividiu opiniões. Frases como “justiça fiscal finalmente!” e “querem punir quem gera emprego” estiveram entre os assuntos mais comentados no X (antigo Twitter). Há também quem especule que o movimento de Lira visa se reposicionar politicamente para as eleições de 2026, agradando tanto à base do governo quanto ao centrão econômico.
Tramitação rápida: votação na comissão especial e depois no plenário
O projeto será votado na comissão especial na quarta-feira (17). Se aprovado, segue para o plenário da Câmara e, posteriormente, para análise no Senado. A expectativa do governo é que a nova tabela entre em vigor já em 2026, após regulamentação da Receita Federal.
Líderes partidários indicaram apoio majoritário ao texto, com possibilidade de ajustes finais durante a votação em plenário.
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