Governo intensifica ações de socorro e especialistas alertam para riscos de agravamento nas próximas semanas
Cheia no AM afeta 42 municípios: A cheia dos rios amazônicos atingiu níveis alarmantes neste mês de julho e já colocou 42 dos 62 municípios do Amazonas em situação de emergência, de acordo com o último boletim da Defesa Civil Estadual, divulgado nesta quarta-feira (10). O fenômeno tem afetado diretamente mais de 133 mil famílias, o que representa aproximadamente 534 mil pessoas impactadas em todo o estado.
Segundo o governo estadual, a situação é resultado de chuvas acima da média e do represamento dos principais rios da região Norte. O governador Wilson Lima afirmou que a “Operação Cheia 2025” está em curso desde abril, com ações coordenadas entre secretarias estaduais e órgãos federais para garantir assistência às famílias atingidas.
Barcelos e Iranduba entraram na lista esta semana
Nesta semana, os municípios de Barcelos e Iranduba passaram a integrar a lista de cidades em emergência, após seus prefeitos enviarem decretos à Defesa Civil Estadual. Com isso, o número de municípios em situação crítica saltou de 40 para 42.
As cidades ribeirinhas, principalmente nas calhas dos rios Juruá, Purus, Solimões e Negro, registraram os maiores alagamentos, afetando escolas, postos de saúde, lavouras e comunidades indígenas e quilombolas. Em Apuí, por exemplo, uma usina de oxigênio foi entregue para garantir o funcionamento da rede hospitalar em meio às dificuldades logísticas.
580 toneladas de alimentos e 2.450 caixas d’água já foram distribuídas
A “Operação Cheia” já distribuiu mais de 580 toneladas de alimentos, milhares de copos, 2.450 caixas d’água e kits purificadores de uso familiar. Em parceria com o Exército e o governo federal, o Amazonas também implantou uma estação móvel de tratamento de água, usada em áreas com contaminação nos poços tradicionais.
Até o momento, o governo federal já repassou R$ 17 milhões em recursos emergenciais, sendo R$ 5,4 milhões destinados diretamente à compra de cestas básicas, colchões e kits de higiene para os municípios mais afetados.
Aulas transferidas para o modelo remoto e reforço de medicamentos
Em locais onde escolas foram alagadas, como em Manacapuru, Careiro e Tapauá, os alunos estão sendo atendidos pelo programa “Aula em Casa”, com transmissão via rádio e televisão. Já na área da saúde, medicamentos de uso contínuo, insulina e materiais para vacinação foram enviados com escolta militar a locais isolados.
“Estamos enfrentando um cenário extremo, mas nosso planejamento desde o início do ano nos permitiu agir rapidamente”, declarou o tenente Charlis Barroso, coordenador do Centro de Monitoramento da Defesa Civil.
Internautas pedem soluções definitivas e criticam obras atrasadas
Nas redes sociais, a comoção é grande. Moradores relatam perdas e dificuldades logísticas para receber auxílio. Um vídeo mostrando uma idosa sendo retirada de casa de canoa viralizou no X (antigo Twitter), com a legenda: “Chega de remendo, o Amazonas precisa de infraestrutura!”.
Outros usuários cobraram o governo federal pela lentidão na liberação de verbas. Por outro lado, muitos reconhecem a agilidade da Defesa Civil estadual e o trabalho voluntário em várias cidades.
Estabilização ainda depende do comportamento climático nos próximos dias
Apesar de algumas calhas já estarem em vazante, como nos rios Juruá e Madeira, especialistas alertam que o volume acumulado nas bacias pode manter as águas altas por mais semanas. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) não descarta novas chuvas isoladas, o que pode atrasar a normalização.
“O Amazonas tem vulnerabilidades históricas, como a ausência de drenagem urbana e habitações em palafitas. Isso amplifica os impactos mesmo quando o volume de chuva não é o maior da década”, explicou o geógrafo Luis Farias, da UFAM.
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