Agência de espionagem identifica substância altamente tóxica sendo utilizada em larga escala por tropas russas em território ucraniano
Rússia usa cloropicrina na guerra contra Ucrânia: Autoridades de inteligência da Alemanha confirmaram nesta semana que a Rússia tem intensificado o uso de armas químicas proibidas contra tropas da Ucrânia. O relatório mais recente revela a aplicação da substância cloropicrina, considerada uma das mais perigosas já desenvolvidas para uso militar, especialmente em ambientes confinados.
A informação foi confirmada pelo Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND) e também teve respaldo do governo da Holanda, que afirmou que o uso da substância está se tornando uma prática “sistemática” por parte das forças armadas russas.
Cloropicrina: o composto usado como arma
A cloropicrina é uma substância química altamente tóxica que provoca irritação severa nos olhos, pulmões e pele, podendo causar sufocamento em concentrações elevadas. Embora originalmente tenha sido usada como pesticida, seu uso como arma é estritamente proibido pela Convenção sobre Armas Químicas, da qual a Rússia é signatária.
Segundo os relatórios alemães e holandeses, a substância estaria sendo lançada por drones em frascos improvisados sobre posições ucranianas, em especial trincheiras e abrigos, onde os efeitos do gás se tornam potencialmente letais por falta de ventilação adequada.
Comunidade internacional reage com preocupação
O ministro da Defesa da Holanda, Ruben Brekelmans, declarou em pronunciamento oficial que o uso da cloropicrina representa uma grave violação do direito internacional. Ele ainda afirmou que o comportamento das forças russas “normaliza o uso de armas químicas” e coloca em risco os padrões globais de conduta militar.
A Holanda defendeu a exclusão da Rússia do Conselho Executivo da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e pediu que os demais países membros da convenção se posicionem com firmeza.
Números e registros de uso
De acordo com informações divulgadas pelo governo ucraniano e corroboradas por análises de inteligência europeias:
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Mais de 9.000 incidentes de uso de substâncias químicas teriam sido registrados desde 2022.
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Pelo menos três soldados ucranianos morreram em decorrência direta da exposição a agentes químicos.
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Mais de 2.500 militares foram diagnosticados com sintomas graves de intoxicação por gás.
As autoridades ucranianas solicitaram apoio à OPAQ para abrir uma investigação formal. No entanto, segundo o tratado vigente, apenas Estados-membros podem fazer essa solicitação, e até agora nenhum país o fez oficialmente.
O que dizem os especialistas
Especialistas em armamento químico alertam que o uso de cloropicrina, mesmo em pequenas quantidades, viola não apenas tratados internacionais, mas também os princípios do direito humanitário de guerra. Além de causar danos físicos severos, a exposição contínua pode gerar sequelas pulmonares e neurológicas permanentes.
Eles também ressaltam que o uso em trincheiras e locais fechados tem como objetivo maximizar o sofrimento e incapacitar tropas de forma cruel e prolongada.
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