Decisão inédita realoca verba destinada à floresta amazônica para enfrentar avanço de incêndios em outros biomas brasileiros
Governo usa Fundo Amazônia contra fogo no Cerrado: O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (1º), que pretende usar R$ 150 milhões do Fundo Amazônia — originalmente criado para proteger a floresta amazônica — para ações emergenciais de combate a queimadas no Cerrado e no Pantanal. A decisão ocorre diante do avanço acelerado dos focos de incêndio em ambos os biomas e da aproximação da estação seca, considerada a mais crítica do ano.
A proposta foi apresentada ao BNDES, responsável pela gestão do fundo, e deve ser aprovada nos próximos dias. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, trata-se de uma medida excepcional e emergencial, diante dos recordes de queimadas e do risco ambiental iminente.
Ações de combate e estados atendidos
Projeto nacional de enfrentamento ao fogo
A iniciativa será implementada dentro do escopo do projeto Manejo Integrado do Fogo, que já atua em áreas de risco ambiental. Os recursos serão usados para fortalecer brigadas, equipar bombeiros e financiar operações de combate direto aos focos de calor nos seguintes estados:
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Mato Grosso do Sul
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Minas Gerais
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Bahia
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Goiás
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Piauí
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Distrito Federal
Entre as ações previstas estão a compra de veículos especiais, aeronaves, bombas costais, coletes, rádios comunicadores e kits de proteção para brigadistas, além da contratação emergencial de mão de obra.
Dados alarmantes sobre o fogo em 2024 e 2025
De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Cerrado teve mais de 242 mil km² queimados em 2024, número equivalente a quase o território do Reino Unido. Já o Pantanal enfrentou queimadas em mais de 27 mil km², o dobro do registrado em 2023.
Somente entre janeiro e maio de 2025, foram detectados 30.800 km² de áreas queimadas no país, o segundo pior índice dos últimos 22 anos, segundo boletim do próprio INPE.
Reações nas redes sociais e debate sobre prioridade ambiental
A medida provocou reações mistas nas redes sociais. Ambientalistas elogiaram a decisão, apontando que a crise ambiental não se limita à Amazônia. “O Cerrado e o Pantanal são berços da biodiversidade e precisam de resposta imediata”, comentou uma ONG ambiental no X (ex-Twitter).
Por outro lado, surgiram críticas sobre a possibilidade de “desvio de foco” do fundo. “Se é o Fundo Amazônia, por que financiar outros biomas? Vai faltar recurso para a floresta?”, questionou um usuário.
Apesar do nome, o fundo pode, legalmente, apoiar ações de combate ao desmatamento e incêndios em outros ecossistemas que impactem o equilíbrio ambiental da Amazônia, segundo o próprio BNDES.
O que dizem os especialistas
A diretora científica do IPAM e coordenadora do MapBiomas, Ane Alencar, afirmou que a destinação é coerente. “O Cerrado é a principal fonte hídrica que abastece a Amazônia. Se o fogo avança por lá, a Amazônia também sofre”, explicou em entrevista ao jornal O Globo.
O Ministério do Meio Ambiente também destacou que o uso do fundo é temporário e não compromete os projetos já contratados voltados exclusivamente à Amazônia Legal.
Próximos passos: liberação imediata e monitoramento
A proposta será avaliada pelo Comitê Orientador do Fundo Amazônia, que conta com representantes do governo, da sociedade civil e dos países doadores. A expectativa é de que a liberação ocorra ainda na primeira quinzena de julho, antes do pico das queimadas previsto para agosto e setembro.
A operação será coordenada por uma Sala de Situação Nacional, criada pela Casa Civil, com participação dos ministérios do Meio Ambiente, Integração e Defesa, além de estados e prefeituras.
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