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sábado, maio 23, 2026

“Caíam pedras perto da nossa cabeça”: voluntário revela tensão extrema no resgate de Juliana Marins em vulcão na Indonésia

Alpinista Abdul Agan narra os momentos dramáticos durante tentativa de salvar a brasileira no Monte Rinjani

Resgate de Juliana Marins na Indonésia: O resgate da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, que caiu em um penhasco no Monte Rinjani, na Indonésia, ganhou novos contornos nesta semana com o relato emocionante do alpinista Abdul Agan, um dos voluntários que desceram o desfiladeiro em uma operação arriscada para tentar salvá-la.

Juliana caiu no dia 21 de junho, durante uma trilha ao lado do namorado. Ela estava viva após a queda e chegou a ser localizada por drones, mas as condições extremas do terreno e do clima dificultaram o resgate imediato. O corpo da jovem só foi recuperado no dia 24 de junho, três dias depois da queda.

A queda de Juliana: o início da tragédia

Brasileira escorregou durante pausa em trilha guiada no Monte Rinjani

Juliana fazia uma trilha turística com um grupo no Monte Rinjani, um dos principais vulcões ativos da Indonésia, quando teria escorregado após uma breve parada para descanso. Segundo relatos de testemunhas, ela caiu cerca de 300 metros encosta abaixo. Drones usados nas buscas a encontraram ainda com vida, mas em local de acesso quase impossível.

A jovem foi vista acenando e respondendo a estímulos, o que reforçou a corrida contra o tempo das equipes locais para chegar até ela.

“Descemos com medo de morrer”: relato do herói anônimo

O alpinista Abdul Agan, um dos voluntários que integraram a equipe de resgate, contou ao O Globo que precisou viajar por um dia e meio para chegar ao local. “Caíam pedras perto da nossa cabeça, o vento era forte e a visibilidade muito baixa”, relatou.

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Agan e sua equipe desceram um penhasco de 500 metros em condições precárias. “Foi a missão mais difícil da minha vida. Fizemos tudo que podíamos. Ficamos em silêncio quando a encontramos”, disse o voluntário.

Eles passaram a noite com o corpo de Juliana, em sinal de respeito, e só conseguiram remover os restos mortais na manhã seguinte.

Indignação nas redes: acusações e desinformação

O caso provocou comoção no Brasil e no mundo, com milhões de visualizações nas redes sociais. Muitas publicações questionaram a conduta da agência responsável pelo passeio. A família da jovem afirma que ela foi deixada para trás, enquanto os organizadores locais alegam que os guias “fizeram tudo o que podiam”.

Também circularam vídeos falsos que sugeriam que Juliana teria recebido água e comida enquanto esperava o resgate. A própria família desmentiu as alegações, classificando-as como tentativas de mascarar a negligência.

Itamaraty atuou e diplomacia brasileira foi acionada

Corpo foi liberado após atuação do consulado brasileiro na Indonésia

O Ministério das Relações Exteriores acompanhou o caso e prestou apoio à família da vítima. A embaixada do Brasil na Indonésia intermediou o traslado do corpo de Juliana para o Brasil. Ainda não há confirmação oficial sobre abertura de investigação formal contra os responsáveis pelo grupo turístico.

Repercussão global e debates sobre segurança em trilhas internacionais

O caso reacendeu o debate sobre segurança de turistas em trilhas guiadas no exterior, especialmente em locais com risco geológico como vulcões. Especialistas apontam falhas na fiscalização das agências locais e na falta de suporte técnico para operações de resgate em regiões de difícil acesso.

O Monte Rinjani é um dos principais destinos de ecoturismo da Indonésia, atraindo milhares de visitantes todos os anos. Contudo, a tragédia expôs fragilidades na logística de salvamento em áreas remotas.

Veja Também: Alexandre Pato se oferece para pagar traslado do corpo de Juliana Marins, brasileira que faleceu em trilha na Indonésia.

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