Medida aprovada pelo Parlamento ainda depende de aval do Conselho de Segurança Nacional e acende alerta internacional sobre avanço do programa atômico
Irã suspende cooperação com AIEA: O Parlamento do Irã aprovou nesta quarta-feira (25) uma proposta para suspender toda e qualquer cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), braço da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável pelo monitoramento nuclear em países signatários do Tratado de Não-Proliferação. A decisão foi tomada em resposta aos recentes ataques de Israel e Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas, considerados pelos legisladores uma violação da soberania nacional.
O texto aprovado recebeu 221 votos favoráveis, sem votos contrários. A proposta impede que inspetores da AIEA entrem no país, bloqueia a instalação de equipamentos de vigilância e suspende o envio de dados técnicos à agência. Para entrar em vigor, a medida ainda precisa ser validada pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional, presidido pelo chefe do Executivo, Masoud Pezeshkian, e submetida à aprovação final do líder supremo do país, Ali Khamenei.
Parlamentares acusam ONU de conivência e defendem resposta “proporcional”
O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que a AIEA “silenciou diante de agressões externas” e, por isso, perdeu a autoridade moral para atuar como observadora. Ele declarou que o Irã não aceitará mais “inspeções parciais ou guiadas por interesses políticos” e sugeriu que o país deve acelerar o ritmo de seu programa nuclear com base em objetivos civis.
Ao final da sessão, deputados entoaram gritos de protesto contra Estados Unidos e Israel. Embora simbólica, a votação é interpretada como um gesto estratégico diante da recente onda de bombardeios que danificou centros de enriquecimento de urânio em Natanz e Isfahan.
AIEA mantém silêncio, e potências ocidentais falam em sanções
Até o momento, a AIEA não comentou oficialmente a aprovação do projeto no Parlamento iraniano. Em posicionamentos anteriores, o diretor-geral Rafael Grossi alertou para os riscos de uma nova suspensão de cooperação, afirmando que “o monitoramento contínuo é essencial para garantir a transparência e a paz regional”.
Países como Alemanha, França e Reino Unido já classificaram a medida como “inaceitável” e sinalizaram que podem propor novas sanções multilaterais caso o Irã leve adiante o rompimento com o órgão da ONU. Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela agência Reuters, há preocupação com o volume de urânio enriquecido a 60% mantido pelo país — quantidade considerada próxima do nível necessário para produção de armamento nuclear.
Reações nas redes e risco de colapso nas negociações
Nas redes sociais, a decisão do Parlamento dividiu opiniões. Internautas iranianos favoráveis ao governo comemoraram a “postura firme” de Teerã. Por outro lado, críticos alertaram para o risco de completo isolamento diplomático e o colapso das negociações com potências globais, suspensas desde 2022.
Especialistas ouvidos por veículos internacionais afirmam que a escalada de tensões pode colocar fim definitivo ao Acordo Nuclear de Viena e dificultar qualquer reaproximação com o Ocidente. Nas palavras do analista Hossein Rahbarian, “o país caminha para uma posição sem retorno, onde a retaliação vira política de Estado”.
Veja Também: Irã e Israel Declaram Vitória e Confirmam Cessar-Fogo Após 12 Dias de Confronto

